Senhor juiz, pare agora

Nossos magistrados deveriam ouvir mais Wanderléa. Há 40 anos, a Ternurinha da Jovem Guarda já cantava o tema destes tempos de —virgem santíssima— ativismo judicial: “Por favor, pare agora/ Senhor juiz, pare agora!”. Isso é que é canção engajada. Ocorre que o conselho da Wandeca não tem sido levado a sério por muita gente. Pena. Temos de apelar, então, para Francis Bacon e Montesquieu. Bacon, em 1612, escreveu Da judicatura, que começa assim: “Os juízes devem se lembrar de que seu ofício é jus dicere, e não jus dare; interpretar a lei, e não fazer a lei, ou dar a lei”. No século seguinte, Montesquieu, em Do espírito das leis, capítulo VI do livro XI, concordou: “… os juízes da nação não são (…) nada além da boca que pronuncia as palavras da lei”. É isso. O resto é conversa fiada.

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Óbvio ululante

(Matisse, La Raie Verte (Madame Matisse), 1905)

— Mas, senhor Matisse, o senhor já viu uma mulher verde?
— Minha senhora, isto não é uma mulher; é um quadro.

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